Graciliano Ramos – Escritor e Político

“Se a igualdade entre os homens- que busco e desejo- for o desrespeito ao ser humano, fugirei dela.”

  • Graciliano Ramos em ‘Liberdade’

“Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição.”

  • Graciliano Ramos em ‘Angústia’, Cap. 17 – 1936.

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“Ateu! Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, idolos que depois derrubo. Uma estrela no ceu, algumas mulheres na terra..”

  • Graciliano Ramos – Últimas três linhas de Caétes

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Graciliano Ramos de Oliveira

(Quebrangulo, 27 de outubro de 1892Rio de Janeiro, 20 de março de 1953)[1] 

romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX,

mais conhecido por seu livro Vidas Secas (1938).[2]

Biografia

Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo, em 27 de outubro de 1892. Primeiro de dezesseis irmãos de uma família de classe média do sertão nordestino, ele viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro, como Buíque (PE), Viçosa e Maceió (AL). Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista.[2]

Em setembro de 1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília, Leonor e Clodoaldo e do sobrinho Heleno, vitimados pela epidemia de peste bubônica, volta para o Nordeste, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.[3]

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Caetés – 1933

Publicações Europa-América, Editor : Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 890/3580

“Luisa queria mostrar-me uma passagem no livro que lia.Curvou-se. Não me contive e dei-lhe dois beijos no cachaço. Ela ergueu-se, indignada:

– O senhor é doido?Que ousadia é essa? Eu…

Não pôde continuar. Dos olhos, que deitavam faíscas, saltaram lágrimas. Desesperadamente perturbado, gaguejei tremendo:

-Perdoe, minha senhora. Foi uma doidice.

Cap. 1,página 13


Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte.

Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de abril de 1930.[3] Segundo uma das auto- descrições, “(…) Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.”[4] Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés(1933).[5]

Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, [3] e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.[6]

Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino.

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Vidas Secas – 1938

  • “Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda da pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.” Cap. 1
  • “Se não fosse aquilo… Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou – e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos… Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos.” Cap. 3

Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil – PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro – PCB – e Partido Comunista do Brasil – PCdoB) [7] 

De orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes;[1] nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954).[2] Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.

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Infância – 1945

  • Publicações Europa-América, Editor : Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 914/3768
  • “A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta”.Pág.13
  • ”Disseram-me depois que a escola nos servira de pouso numa viagem. Tinhamos deixado a cidadezinha onde vivíamos, em Alagoas, entrávamos no sertão de Pernambuco, eu, meu pai, minha mãe,duas irmãs”.Pág.14

Memórias do Cárcere- 1953

  • “Quem dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, controná-las, envovê-las em gaze.”

Em Liberdade

  • “Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano.”
  • “Se a igualdade entre os homens- que busco e desejo- for o desrespeito ao ser humano, fugirei dela.”

Adoeceu gravemente em 1952.

No começo de 1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.[3]

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São Bernardo – 1934

Publicações Europa-América, Editor : Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 836/3277

Cap. 3,página 14
  • ”Começo declarando que me chamo Paulo Honório, peso oitenta e nove quilos e completei cinquenta anos pelo S.Pedro. A idade, o peso, as sobrancelhas cerradas e grisalhas, este rosto vermelho e cabeludo, têm-me rendido muita consideração. Quando me faltavam estas qualidades, a consideração era menor.”
Cap. 4,página 16
  • ”Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município de Viçosa, Alagoas, e logo planeei adquirir a propriedade São Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco tostões.”
Cap. 6,página 23
  • ”Naquele segundo ano houve dificuldades medonhas. Plantei mamona e algodão, mas a safra foi ruim, os preços baixos,vivi meses aperreado, vendendo macacos e fazendo das fraquezas forças para não ir ao fundo”.

Angústia – 1936

  • “Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição.”
Cap. 1
  • “Os defeitos, porém, só me pareceram censuráveis no começo das nossas relações. Logo que se juntaram para formar com o resto uma criatura completa, achei-os naturais, e não poderia imaginar Marina sem eles, como não a poderia imaginar sem corpo.”
Cap. 14
  • “Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição.”
Cap. 17
  • “É uma tristeza. A senhora lavando, engomando, cozinhando, e seu Ramalho na quentura da usina elétrica, matando-se para sustentar os luxos daquela tonta. Sua filha não tem coração.”
Cap. 18
  • “Nunca presto atenção as coisas, não sei para que diabo quero olhos. Trancado num quarto, sapecando as pestanas em cima de um livro, como sou vaidoso, como sou besta! Idiota. Podia estar ali a distrair-me com a fita. Depois, finda a projeção, instruir-me vedos as caras. Sou uma besta. Quando a realidade me entra pelos olhos, o meu pequeno mundo desaba.”

Fonte das Citações: Wikiquote

Fontes Biográficas: Wikiwand

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Obras

As obras de Graciliano Ramos:[8]

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Traduções

Graciliano Ramos também dominava o inglês e o francês. Realizou algumas traduções:[9]

Publicações sobre Graciliano Ramos

  • Graciliano Ramos – Literatura Comentada – Vivina de Assis Viana, Ed. Abril Cultural, 1989
  • Graciliano Ramos: cidadão e artista – Carlos Alberto dos Santos Abel, UNB, 1999.
  • Graciliano Ramos e o Partido Comunista Brasileiro: as memórias do cárcere, Ângelo Caio Mendes Corrêa Junior, 2000. (Dissertação de Mestrado em Letras, Universidade de São Paulo | orientador: Alcides Celso de Oliveira Vilaça.
  • Graciliano Ramos: infância pelas mãos do escritor – Taisa Viliese de Lemos, Musa Editora, 2002.
  • Graciliano Ramos – Wander Melo Miranda, Coleção Folha Explica, Publifolha, 2004.
  • A infância de Graciliano Ramos – Audálio Dantas, Callis, 2005. (Menção Altamente Recomendável, em 2006, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, na categoria Informativo.)
  • Graciliano Ramos – Myriam Fraga, Moderna, 2007.
  • Cartas inéditas de Graciliano Ramos a seus tradutores argentinos Benjamin de Garay e Raúl Navarro – Pedro Moacyr Maia, EDUFBA, 2008.
  • Graciliano Ramos: um escritor personagem – Maria Izabel Brunacci, Autêntica, 2008.
  • Graciliano Ramos e o mundo interior: o desvão imenso do espírito – Leonardo Almeida Filho, UNB, 2008.
  • Graciliano Ramos e o desgosto de ser criatura – Jorge de Souza Araujo, EDUFAL, 2008.
  • A imagem da linguagem na obra de Graciliano Ramos – Maria Celina Novaes Marinho, Humanitas FFLCH, 2.ed., 2010.
  • Graciliano Ramos e a novidade: o astrônomo do inferno e os meninos impossíveis – Ieda Lebensztayn, Hedra, 2010.
  • Graciliano: Retrato fragmentado – Ricardo Ramos, Globo, 2011.
  • O velho Graça – Denis de Moraes, Boitempo, 2012.

Prêmios

Os prêmios concedidos a Graciliano Ramos:

Graciliano Ramos

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Nascimento 27 de outubro de 1892
Quebrangulo, Alagoas
Morte 20 de março de 1953 (60 anos)
Rio de Janeiro, Distrito Federal
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Escritor
Magnum opus Vidas Secas
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