Roda Viva – Delcídio do Amaral


A Operação Lava Jato, o envolvimento de Dilma, Lula, Aécio e do PMDB nos esquemas de propina das estatais brasileira, a crise política no país e as perspectivas do governo Michel Temer.

A bancada foi formada por Eliane Cantanhêde, colunista do Estadão; Vera Magalhães, editora-executiva e colunista da Revista VEJA, Natuza Nery, editora da coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo, André Guilherme Vieira, repórter do jornal Valor Econômico, e Flávio Freire, coordenador nacional e de política da sucursal do jornal O Globo, em São Paulo.

#‎RodaViva‬ com o ex-senador Delcídio do Amaral


 

“Corrupção na Petrobras virou sistêmica com o PT”, diz Delcídio

O senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS), ex-líder do governo de Dilma Rousseff no Senado, afirmou nesta segunda-feira (16), no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que a corrupção na Petrobras sempre existiu, mas que ela evoluiu para um “quadro sistêmico” a partir do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Matéria do UOL Política sobre a entrevista

O senador cassado Delcídio do Amaral antes da entrevista ao programa Roda Viva
O senador cassado Delcídio do Amaral antes da entrevista ao programa Roda Viva

“Não foi o PT que inventou a corrupção na Petrobras … mas foi com ele que a corrupção se transformou num quadro sistêmico.”

Segundo Delcídio, a corrupção na estatal ocorre já há bastante tempo, “do governo Itamar Franco e de outros presidentes”. Com o PT, ela teria se aprofundado e se generalizado. “A indicação de diretorias por partidos sempre ocorreu. Mas nunca no nível de detalhe de gerente executivo. Isso nunca aconteceu.”

O PT, ex-partido de Delcídio, vem negando as acusações sobre os desvios na estatal e diz que todas as doações foram legais e

declaradas à Justiça Eleitoral.

Questionado sobre a indicação de Jorge Zelada para uma diretoria de Petrobras, atribuída ao presidente interino Michel Temer (PMDB), Delcídio disse acreditar que ela tenha sido uma decisão mais coletiva, do partido. “Eu prefiro acreditar que ele [Temer] tenha acompanhado a indicação da bancada.”

Delcídio sugeriu no programa que ainda falta à Operação Lava Jato chegar ao seu “core”, o seu “núcleo”, que seria formado pelos políticos. O senador cassado disse que sua colaboração premiada com a Lava Jato vai se juntar a outras e “vão fechar a estrutura [de corrupção] que agora está sendo desvendada”.

Ele também foi questionado se Dilma Rousseff sabia dos detalhes da operação envolvendo a compra da refinaria de Pasadena (EUA), e confirmou o conhecimento da presidente: “Ela não assumiu a responsabilidade que é dela”. Segundo Delcídio, não haveria como Dilma não ter conhecimento de um negócio de quantia vultosa, de US$ 700 milhões. O governo nega que Dilma tenha recebido o contrato do negócio de forma antecipada.

Entende as acusações contra Delcídio e sua colaboração premiada

Delcídio do Amaral teve seu mandato como senador cassado no último dia 10, após ter sido alvo de processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro. A punição foi aprovada por 74 dos 81 senadores, em votação no plenário do Senado, após o Conselho recomendar a cassação. Não houve nenhum voto contrário.

Com a cassação, o ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado se tornou inelegível até 2027 – não pode concorrer nas eleições que se realizarem até o fim do mandato para o qual foi eleito (que seria no fim de 2018) e nos oito anos subsequentes ao término da legislatura.

Eleito senador pelo PT, Delcídio é responsável pela principal acusação contra Dilma Rousseff no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. Em seu acordo de colaboração premiada, o ex-senador afirmou que Dilma e o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuaram para tentar libertar empreiteiros presos pela Lava Jato.

A principal prova contra o ex-senador no Conselho de Ética do Senado foi a gravação de uma conversa dele com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, na qual Delcídio promete ajuda financeira à família do ex-executivo da estatal e sugere a ele um plano de fuga do país.

O áudio da conversa, gravada por Bernardo, foi entregue aos investigadores da Lava Jato, o que levou à prisão de Delcídio em novembro do ano passado. Após ser preso, o ex-senador decidiu fechar um acordo de delação premiada.

Delcídio afirmou, em sua colaboração judicial, que partiu de Lula a ordem para que ele convencesse Nestor Cerveró a não implicar o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, em acordo com a Justiça. Lula nega a versão do ex-senador.

O ex-senador também afirmou em depoimento que a nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) foi uma estratégia discutida com Dilma para que o novo ministro do STJ votasse pela libertação de empreiteiros presos pela Lava Jato. Tanto Dilma quanto Navarro negam.

A delação de Delcídio implicou um total de 74 pessoas em supostas práticas irregulares, nem todas ligadas ao esquema de corrupção que envolveu empreiteiras nacionais e a Petrobras.

Em sua defesa das acusações de quebra do decoro parlamentar, Delcídio disse aos senadores que não cometeu irregularidades que mereceriam ser punidas com a cassação e que agiu “a mando” do governo.


A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião deliberativa com 14 itens. Entre eles, PLS 65/2012, que reduz a 3% alíquota do ISS sobre turismo rural e PLS 252/2011, que cria programa de microdestilarias de álcool e biocombustíveis. Em pronunciamento, presidente da CAE, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Foto: Foto: Geraldo Magela /Agência Senado

PMDB está no esquema da Lava Jato, diz Delcídio do Amaral

O senador cassado Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) afirmou nesta segunda-feira (16) que o PMDB tem função proeminente no esquema da Lava Jato e que nomes de políticos do partido irão aparecer na investigações.

Matéria da Folhapress e Cruzeiro do Sul sobre a entrevista

Em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Delcídio disse que, quando sair a delação da Andrade Gutierrez, a participação de caciques do partido peemedebista será “nítida”.

“Renan [Calheiros], Romero [Jucá], Lobão e outros irão aparecer”, afirmou.

Em relação ao presidente interino Michel Temer, Delcídio disse que “não colocaria a mão no fogo”

por ele. A declaração foi feita ao ser questionado sobre trecho de sua delação premiada em que diz que Temer endossou a indicação de Jorge Zelada para ser diretor da Petrobras. Zelada foi preso na Lava Jato.

Delcídio disse também que a corrupção na Petrobras se tornou sistêmica a partir do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador cassado afirmou que a corrupção na estatal não começou com o PT, mas que foi com o partido que se “criou um nível mais amplo”.

“Desde outros presidentes aconteceram casos de corrupção dentro da Petrobras e de outras companhias. A diferença é que foi aí que começou uma espécie sistêmica e atuações partidárias, que se criou um nível de operação muito mais amplo, com o conhecimento das principais lideranças partidárias que compunham a base do governo federal. Isso é inegável”, disse Delcídio.

O senador cassado afirmou que a presidente afastada Dilma Rousseff e Lula tinham conhecimento do petrolão, mas que o governo subestimou a Lava Jato e que passou a se preocupar com a operação apenas quando “a água estava batendo no pescoço”.

“Todo mundo aqui sabe que quem cuida da Petrobras é o presidente da República. O presidente da Petrobras sempre teve ligação direta com o presidente [da República]. Portanto dizer que não conhece e não participou das composições? Tenha paciência. É querer desqualificar ou achar que todo mundo é idiota”, afirmou.

Sobre a sua prisão, em novembro do ano passado, Delcídio afirmou que, após se tornar líder do governo no Senado, “passou dos limites” e ficou “assoberbado”.

O senador cassado pediu desculpas ao público e amenizou o seu crime, dizendo que foi denunciado por obstrução de justiça, que seria menos grave do que “roubo, desvio de dinheiro ou contas no exterior”

. Delcídio afirmou que errou ao ter cedido à pressão de Dilma e de Lula para tentar interferir nas investigações da Lava Jato.

Apesar de admitir erros, Delcídio negou ter sido beneficiado pessoalmente pelos desvios na Petrobras e disse que “passou a limpo” todas as coisas que diziam sobre ele.

CASSAÇÃO

Na semana passada, Delcídio teve o mandato de senador cassado por quebra de decoro parlamentar.

O senador foi acusado de formação de organização criminosa e de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato quando tentou tramar a fuga do ex- diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso pela investigação do petrolão. Ele foi flagrado em uma conversa com o filho de Cerveró, Bernardo, em que traçava o plano como forma de convencer Cerveró a não contar tudo o que sabia sobre os esquemas de corrupção da estatal em uma delação premiada. O senador também ofereceu ajuda financeira à família.

Delcídio é o terceiro senador a ser cassado na história do Senado. Ele teve o maior placar contrário a ele. Antes foram cassados Luiz Estevão, em 2000, com 52 votos, e Demóstenes Torres, em 2012, com 56 votos. Ele ficará inelegível por oito anos a partir do fim do mandato, que seria em 2019, embora a defesa do senador prometa recorrer à Justiça. (Folhapress)


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“Absolutamente”, diz Delcídio ao ser questionado se Dilma mentiu sobre a compra de Pasadena

Senador cassado fez afirmações também sobre Lula e Michel Temer, em entrevista ao Roda Viva na noite desta segunda-feira

Matéria do ZERO HORA sobre a entrevista

Autor da polêmica delação que gerou a abertura de uma série de inquéritos contra políticos e executivos, o senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT-MS) contrapôs a afirmação da presidente afastada Dilma Rousseff, que o chamou de “mentiroso”. Ao falar sobre a compra de Pasadena, em entrevista concedida na noite desta segunda-feira ao programa Roda Viva, ele disse que “absolutamente” Dilma mentiu ao dizer que não sabia de nada.

— Absolutamente. Ela não assumiu a responsabilidade que era dela. Não adianta dizer que é da diretoria. A comissão de valores americana está avaliando isso. Alguém vai explicar pro investidor americano a compra de Pasadena e dizer que a diretoria não sabia? — afirmou.

Ainda sobre a aquisição da usina nos Estados Unidos, Delcídio reafirmou que “não há possibilidade de você levar um processo incompleto para a diretoria de administração”, contestando a argumentação de Dilma, de que ela não tinha conhecimento da transação.

Delcídio também fez uma avaliação sobre o futuro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma, do PT e do presidente interino Michel Temer. Ele afirmou que Lula sairá muito “desgastado de tudo isso” e que uma candidatura competitiva em 2018 “será muito difícil”.

— Acho que ocorrerão outros desdobramentos com relação ao presidente Lula com base nas investigações. O cerco se fechou. (…) A situação do presidente Lula é muito difícil, é crítica — disse.

Quanto à Dilma, o senador cassado afirmou que ela “não volta mais”, pois os 55 votos favoráveis ao afastamento demonstraram “claramente que o placar pode se alargar”.

— Ela perdeu inclusive as condições políticas de governar o país. Ela vai para aposentadoria.

Na visão de Delcídio, o PT é um partido forte que perdeu “muito do seu brilho” e precisa “fazer uma revisão dos seus conceitos”, incluindo mudança na direção.

— Rui falcão é bizarro, não tem dimensão para comandar um partido como o PT. Acredito que o PT tem pessoas lúcidas que vão prevalecer, que são extremamente competentes.

Sobre o governo de Temer, o senador cassado afirmou que há um “grande desafio pela frente”, que a “vinda do Meirelles é relevante” e que “Serra nas relações exteriores” também é uma boa opção.

— Agora, acho que estamos de oito a 80. Tínhamos um governo que não tinha política nenhuma e agora tem política demais. Alguns ministros são fraquinhos. (…) Temos que trabalhar para Temer dê certo, mas os primeiros passos preocupam muito. E ele não tem base nenhuma social. Não é fácil comandar um país complexo como o Brasil assim.

Lava-Jato

Delcídio também falou sobre a Operação Lava-Jato, repetindo que havia um consenso no Planalto de que o governo sairia ileso, mas que quando “a água começou a bater no pescoço”, houve tentativa de obstrução. Ele citou novamente a suposta negociação para nomear o Marcelo Navarro Ribeiro Dantas como ministro do Superior Tribunal de Justiça, com a condição de que ele soltasse alguns presos em Curitiba, especialmente os empresários.

— Dilma tinha dúvidas se ele ia cumprir com esses compromissos, com a liberação de alguns presos da Lava-Jato, entre eles, os empreiteiros. Perguntei se ela queria que eu conversasse com ele e assim o fiz.

Além do PT, Delcídio destacou que o PMDB teve “posição proeminente” no esquema investigado na Lava-Jato e disse não ter dúvida de “que isso vai ficar nítido com a colaboração da Andrade Gutierrez”.

— Na minha colaboração, mostro o sistema como funcionava do lado do PT e PMDB, quem comandava o quê. Isso vai aparecer nitidamente.

O senador cassado destacou ainda que não pode “botar a mão no fogo” pela inocência de Temer sobre suposta conivência com o esquema de corrupção na Petrobras.

— Não posso botar a mão no fogo, até porque não conheço bem as relações dele.

Questionado sobre a indicação de Jorge Zelada para diretoria Internacional da Petrobras, atribuída em delações premiadas da Lava-Jato a Temer, Delcídio pontuou, contudo, que não sabe se o peemedebista tinha ciência dos desvios de Zelada no cargo.

— Quando você indica alguém pro governo, não quer dizer que indicou alguém pra roubar. Às vezes, você indica alguém que tropeça, lamentavelmente isso acontece nos governos — ponderou. — Prefiro acreditar que ele (Temer) tenha endossado a indicação da bancada (do PMDB), mas vejo com muitas preocupações o que vem por aí.

Erros “assumidos”

O senador cassado admitiu que errou ao ter, segundo sua versão, aceito a pressão do ex-presidente Lula e da presidente afastada Dilma para tentar obstruir a Justiça ao tentar interferir nas investigações da Lava-Jato. Delcídio foi preso depois de ser flagrado em áudio tentando ajudar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a fugir do país.

— Acabei cometendo esse deslize e fui efetivamente denunciado por obstrução da Justiça. Quero destacar, é uma falha grave pela qual me desculpei, não deveria ter feito isso. Agora, não fui acusado por roubo, desvio de dinheiro, conta no exterior — afirmou.

O senador cassado também negou reiteradamente ter se beneficiado pessoalmente de recursos desviados no petrolão, como apontado em delações como de Cerveró e de Fernando Baiano — considerado o operador do PMDB no esquema de desvios. Segundo Delcídio, após passar por procedimentos de depoimentos “rigorosíssimos”, ele “passou a limpo” tudo que se dizia sobre sua pessoa.

— Não me beneficiei, isso ficou muito claro — enfatizou.