Jackie – a vida de Jacqueline Kennedy ‘Onassis’

Jacqueline Kennedy (Natalie Portman), inesperadamente viúva, lida com o trauma nos quatro dias posteriores ao assassinato de seu marido, o então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy.

Fonte: Adoro Cinema

Crítica do Washington Post – Superficialmente, “Jackie” é um retrato e uma narrativa de pura maestria para uma das primeiras-damas mais admiradas da história […] No íntimo, é um filme sobre uma mulher jovem, forte e muito assustada que aproveita a oportunidade de viver uma vida por si e para si mesma.

OPINIÃO BAURU TV

O título do post já insinua nossa insatisfação em relação ao roteiro. Optar por fazer um filme sobre Jacqueline Kennedy Onassis, deveria subentender a necessidade de mostrar todas as principais facetas da vida desta mulher, que foi sem dúvida alguma, uma vida extremamente rica em detalhes. Desde sua formação até se tornar primeira-dama dos Estados Unidos, mas principalmente, a parte posterior à tragédia acontecida com John F. Kennedy, sua recuperação, e seu segundo casamento, com o magnata Aristóteles Onassis.

O cinema já teve um filme americano de 1978,  The Greek Tycoon (br.: O magnata grego), dirigido por J. Lee Thompson, em que o roteiro (de Morton S. Fine) é baseado livremente na relação de Aristóteles Onassis e Jacqueline Kennedy. Anthony Quinn foi Theo Tomasis (Onassis) e Jacqueline Bisset foi Liz Cassidy (Jackie).

Seria ótimo termos a verdadeira história de Jacqueline sendo contada abertamente, mas em todas suas fases. Contudo, Hollywood se interessou mais pelo lado sombrio de um momento tristíssimo de relembrar. O que não é nada, se comparado com o presidente que eles escolheram para os próximos 4 anos.

Paul Sampaio, perfil, 1  Paul Sampaio – Autor

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Mudanças

A princípio, o projeto seria dirigido por Darren Aronofsky e teria Rachel Weisz como Jackie Kennedy. Rachel acabou desistindo de estrelar no longa, já Aronofsky assumiu a produção filme.
Jackie - 2016 - Peter Sarsgaard e Natalie Portman.

Jackie – 2016 – Peter Sarsgaard e Natalie Portman.

Crítica do The Guardian – É uma visão singular de um diretor único que também acaba sendo um retrato sobre uma das mulheres mais famosas da história dos Estados Unidos. “Jackie” não é um filme de Oscar – é cinema puro.

Estreante

É o primeiro longa de Pablo Larraína lançado nos Estados Unidos.
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Lista Negra

O roteiro estava incluído no “The Black List” de 2010.

Presença em festivais

Participará do Festival de Toronto 2016.
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FICHA TÉCNICA

Data de lançamento 2 de fevereiro de 2017 (1h 40min)
Direção: Pablo Larraín
Gêneros Biografia, Drama
Nacionalidade Eua
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Natalie Portman: “Claro que sou feminista”

O diretor Pablo Larraín não buscava um clone para interpretar sua Jacqueline Kennedy em ‘Jackie’.

Queria desnudar o ícone, e a sensibilidade de Natalie Portman lhe deu o molde perfeito.

Fonte: El Pais

Graças ao diretor Darren Aronofsky, Natalie Portman ganhou em 2011 seu primeiro Oscar por Cisne Negro (além disso, nas filmagens conheceu seu marido, Benjamin Millepied, com quem tem um filho e espera outro). E graças a Darren Aronofsky poderá ganhar o segundo.

Foi ele quem deu ao chileno Pablo Larraín o roteiro de Jackie, a reconstituição dos dias seguintes ao assassinato do então presidente dos EUA, John F. Kennedy. E, embora Aronofsky quisesse que sua ex-mulher, Rachel Weisz, interpretasse a primeira-dama, Larraín lhe disse que se Portman não aceitasse, ele também não aceitaria fazer o filme.

Foi assim que ambos embarcaram em um longa difícil: retratar sem clichês (objetivo que alcançam) um dos ícones mais explorados do século XX. A atriz captou o mistério e esse distanciamento preciso que a senhora Kennedy manejava em público. As mesmas qualidades que mantém na entrevista ao EL PAÍS. Inteligente, fria, sofisticada.

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Pergunta. Como uma atriz se prepara para interpretar um ícone universal?

Resposta. Em primeiro lugar, você estuda o roteiro a fundo. Noah Oppenheim havia feito uma pesquisa em profundidade dos dias que se seguiram ao assassinato de Kennedy. Depois trabalhei com uma professora de dialeto para conseguir o sotaque de Jackie, que era muito particular, em parte por viver em Nova York em parte por sua elevada educação. E escutei entrevistas suas durante horas: gravei-as em meu iPhone e as escutava enquanto cozinhava ou praticava esportes. Além disso, há muitos vídeos no YouTube de quando John Kennedy se candidatou ao Senado, e ela ainda não era o ícone de sofisticação que todos conhecemos. Seu sotaque não mudou, mas seu tom, sim. Durante as campanhas, as mulheres a rejeitavam e por isso ela terminou criando um personagem muito mais próximo das norte-americanas, que acabaram se identificando com ela. Continuava sendo sofisticada, mas construiu um lado muito familiar.

P. Existiam muitas Jackies, como mostra o filme?

R. Era uma mulher que, como todas, se mostrava diferente dependendo da situação. No seu caso era mais acentuado porque não só teve diferentes relações com suas respectivas experiências, mas porque era claro que existia uma Jackie real, a que ela queria ser, a que o público acreditava que fosse e a que ela entendia que os demais percebiam.

Natalie Portman ganhou em 2011 seu primeiro Oscar por Cisne Negro.

Natalie Portman ganhou em 2011 seu primeiro Oscar por Cisne Negro.

P. Parece uma pergunta óbvia, mas, considera que compartilha algumas qualidades com ela?

R. Muitas. Você coloca tanto de si que inevitavelmente acaba se vendo refletida. E eu não estou no mesmo nível, mas estou ciente de minha desconexão entre a percepção que as pessoas têm de mim e quem sou na realidade em minha vida privada.

P. Essa desconexão lhe preocupa, como acontecia com ela? A imagem que possa apresentar e seu legado? Precisa ter controle sobre isso?

R. Oh, não, não me interessa controlar. É um dilema que todos podemos viver, criar diferentes versões de nós mesmos. E é mais acentuado quando você é uma figura pública. Para mim só interessa controlar minha imagem pública para que não afete minha vida privada. Porque às vezes são ditas coisas horríveis e sujas demais, e você precisa preservar e proteger sua intimidade. Por isso, você acaba construindo muros ao seu redor. Embora outras vezes você precise rompê-los e se permitir ser vulnerável porque, claro, dessa vulnerabilidade depende o seu trabalho e o desfrutar de uma vida plena.

R. Não gasto tempo demais me perguntando como as pessoas me veem. Penso, sobretudo, em como eu vejo a mim mesma. Jackie era um símbolo para os Estados Unidos. Você tem uma grande responsabilidade quando representa e lidera um país. A sua imagem e o que as pessoas pensam de você importam muito. Se você é ator, no final, não importa tanto. É só uma questão de ego: se alguém acredita que sou uma esnobe, tudo bem, posso viver com isso. Mas ela tinha de transmitir aos americanos a ideia de que seria capaz de cuidar deles. Essa não é minha tarefa. Se as pessoas não gostam de mim, podem escolher tranquilamente outra atriz. E certamente o que eu faça ou acreditem que eu faço não afeta a identidade nacional.

Natalie Portman, como Jacqueline Kennedy Onassis, em 'Jackie'

Natalie Portman, como Jacqueline Kennedy Onassis, em ‘Jackie’

P. Você disse em outra ocasião que não acredita que Jackie se definisse como feminista embora agisse como tal, por quê?

R. Definitivamente, ela nunca se definiu como uma feminista. Na realidade, há transcrições de entrevistas nas quais ela se refere a algumas feministas da época de forma depreciativa, embora depois se tenha retratado. Nos anos 70 e 80 ela lamentou ter falado nesses termos, mas naquele momento, quando o fez, acho que de verdade definia a si mesma como esposa e reconhecia que sua finalidade era ajudar o marido e o apoiar na medida do possível.

P. Como definiria o feminismo neste momento? Por que você, sim, se identificaria como feminista?

R. Não sei como definir, é uma boa pergunta. E, claro, sou feminista. Imagino que a base é que nós, mulheres, deveríamos ter as mesmas oportunidades e receber o mesmo tratamento que os homens. A primeira-dama não se definia como feminista, mas fez muitas coisas que assim eram, em especial aquelas de que este filme trata, como assumir a responsabilidade da própria história e a de seu marido, escrevendo-a ela mesma. Isso é algo muito moderno e sufragista. Ela criou a história que queria que fosse contada e que ainda continuamos contando hoje, embora não fosse a verdade absoluta.

P. Precisamente, o que este filme faz é desvendar um pouco essa verdade e como Jackie assinou seu próprio legado naqueles dias depois da morte de seu marido, como transformou sua imagem e a do presidente. O que você pensava dela antes de interpretá- la?

R. Gostava muito dela e a admirava, mas em nenhum momento a julguei pelo que fez. Quando você tem que interpretar alguém sempre tenta descobrir todas as camadas que esconde, e para mim era uma oportunidade um tanto rara poder interpretar um personagem real, especialmente uma mulher que tinha a capacidade de ser tantas coisas. Forte e frágil… Mas voltando ao tema do feminismo sobre o qual você me perguntou, muita gente fala de personagens feministas quando na realidade são mulheres guerreiras que se esforçam e arrasam, e para mim não é isso. Feminismo é mostrar mulheres de todo tipo que podem ser qualquer coisa. E não me refiro a profissões, mas que podem sentir qualquer tipo de emoção, ser muitas coisas ao mesmo tempo, ter diferentes camadas… Poder interpretar uma mulher com esse nível de complexidade foi um grande presente.

Natalie Portman discursa no 'Women's March', a marcha das mulheres contra Trump, em Los Angeles, em 21 de janeiro de 2017. EMMA MCINTYRE - AFP

Natalie Portman discursa no ‘Women’s March’, a marcha das mulheres contra Trump, em Los Angeles, em 21 de janeiro de 2017. EMMA MCINTYRE – AFP

P. Se tivesse que escolher, com que mensagem da protagonista você ficaria?

R. O filme nos diz que nosso país passou por momentos muito difíceis e seguiu em frente. Isso nos poderia ajudar a entender que não podemos nos render, mas que temos que dobrar nossas energias para continuar respaldando nossa ideia de como os EUA deveriam ser.

P. É uma mensagem um tanto amarga e muito direta para o momento que seu país vive agora, com a eleição e posse de Donald Trump.

R. O ano passado foi, sem dúvida, um ano de eleições no mínimo surpreendentes. Em primeiro lugar pelo tom da campanha eleitoral e, depois, claro, pelo resultado. Acho que nos veremos nos próximos anos vivendo um tempo interessante, que me estimula como atriz e como cidadã. Teremos que falar mais e ser mais ativos como comunidade. Me desagrada muito o modo como Donald Trump fala das mulheres, das minorias, dos imigrantes e das pessoas com deficiências, me entristece até que esse tipo de linguagem seja aceita em um líder.

P. Você se preocupa com o futuro dos EUA como expoentes democráticos?

R. Hoje em dia há hostilidade demais em relação às minorias. Muita gente vive uma situação complicada por suas crenças religiosas ou políticas. O ódio é a forma mais simples de culpar os outros por nossos problemas. Talvez devêssemos usar um pouco mais a nossa cabeça antes de odiar o vizinho e culpá-lo de tudo. É algo que me inquieta. E me preocupa que não estejamos dando a esta situação que vivemos a importância que tem.

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