Cunha é humilhado e agredido no Aeroporto do Rio

Xingamentos como ‘ladrão’, ‘roubou o Brasil’, ‘pega ele’, ‘vergonha’, foram alguns dos dizeres dos populares que humilharam o político corrupto e cassado pelo Congresso.

Um senhora tentou realmente machucá-lo fisicamente, impulsionada por aqueles que se manifestavam contra Cunha.

E o bandido, disse depois, que para ele, é um prazer tudo isso.



Eduardo Cunha é agredido e xingado em aeroporto do Rio. Veja o vídeo

Deputado cassado ironizou: “Se eles perderam as suas boquinhas, o problema é deles”

Fonte: Jornal do Brasil

O ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou a sofrer ataques e ser vaiado nesta quarta-feira (12), ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, vindo de um voo de Brasília. Desta vez, porém, o deputado cassado chegou a ser agredido fisicamente por uma mulher.

No Twitter, o peemedebista, que teve o mandato cassado pelo Plenário da Câmara e ainda é réu por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, respondeu que “o mesmo grupinho” que costuma vaiá-lo nos aeroportos tiveram informação de sua chegada.

“O mesmo grupinho da semana passada, liderado pela mesma mulher, estavam ontem me esperando no aeroporto. Óbvio que tiveram a informação da minha chegada, em horário semelhante da semana passada. Continuo a dizer, pode vir me esperar, será um prazer. E não vão me constranger. Se eles perderam as suas boquinhas, o problema é deles”, ironizou Cunha.

Veja também >> Eduardo Cunha é chamado de “safado” e “ladrão” em aeroporto de Brasília

Eduardo Cunha teve seu mandato cassado no dia 12 de setembro por 450 votos a 10, além de 9 abstenções. Após a votação, enquanto o peemedebista deixava o plenário, cercado por seguranças, parlamentares da oposição gritavam “Fora, Cunha!”.

O processo contra Cunha teve origem com uma representação protocolada por representantes do Psol e da Rede Sustentabilidade no dia 13 de outubro de 2015. Cunha estava afastado das funções de deputado federal desde maio deste ano e esteve afastado também da presidência da Casa até 7 de julho, quando renunciou ao cargo.

No Conselho de Ética, o deputado Fausto Pinato (PP-SP) foi escolhido relator do parecer no dia 5 de novembro do ano passado. À época, Pinato apresentou seu parecer preliminar pela continuidade do processo contra Cunha em 24 do mesmo mês, mas teve de deixar a relatoria depois de o vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), aceitar recurso contra sua escolha por ser do mesmo bloco partidário do PMDB, formado no início da legislatura. Na época, Pinato pertencia ao PRB.

Em 9 de dezembro de 2015, o deputado Marcos Rogério assumiu a relatoria e, após vários recursos no andamento do processo, o parecer foi aprovado pelo Conselho de Ética, por 11 votos a 9, em 14 de junho de 2016.

Em 23 de junho foi apresentado recurso regimental à CCJ contra essa decisão do conselho. Entre os argumentos constavam cerceamento do direito de defesa, aditamento de denúncias novas ao processo e parcialidade do presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA).

A CCJ finalizou o julgamento do recurso em 14 de julho, rejeitando, por 48 votos a 12, o relatório do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), que era favorável à volta do processo ao Conselho de Ética.

Devido ao período de campanha das eleições municipais, o processo não foi analisado em agosto pelo Plenário.

Ao longo dos meses em que seu processo tramitou no Conselho de Ética e passou à CCJ, Eduardo Cunha, por meio de seus aliados, foi acusado inúmeras vezes de manobrar o Regimento Interno da Câmara para atrasar o andamento das acusações contra ele. Seu processo é considerado um dos mais longos na história da Casa.

Eduardo Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de contas.


Os Crimes

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Fonte: O Estado de São Paulo

BRASÍLIA – Há um ano e meio, convocado para a CPI da Petrobrás, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e seus aliados transformaram o dia do depoimento em um ato político de desagravo. O deputado foi categórico ao negar contas bancárias no exterior e, sem saber, despertou ainda mais a atenção de investigadores, que já apuravam silenciosamente o recebimento de propina fora do País.

Cunha virou figura frequente em delações firmadas pelo Ministério Público: foi citado por Alberto Youssef, Fernando Baiano, Fábio Cleto, executivos da Carioca Engenharia e aparece nas trocas de mensagens com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS. A cada nova menção, costumava acusar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de persegui-lo politicamente, mas seus advogados passaram a admitir recentemente que a estratégia do enfrentamento foi errada – principalmente se quiser negociar seu próprio acordo de delação premiada.

Foto: André Dusek/Estadão
Eduardo Cunha

O deputado afastado Eduardo Cunha

 Nos últimos quatro meses, depois de se tornar réu no Supremo Tribunal Federal em duas ações penais e perder o apoio político que o sustentava, Cunha foi obrigado a trocar sua claque de parlamentares fiéis por uma de advogados, contratados para atuar em quase uma dezena de frentes de investigação, que apontam para um esquema de financiamento de poder próprio. O mandato de deputado do peemedebista foi usado para pressionar empresários e obter recursos ilícitos, ajudar e indicar aliados para setores estratégicos e chantagear adversários.

O dinheiro obtido por Cunha por meio de corrupção servia a luxos familiares, mas, principalmente, para comprar a fidelidade de uma verdadeira tropa de choque no Congresso. É o que investigadores chamam de “mensalinho particular” – a distribuição de dinheiro para manutenção da rede de influência e retroalimentação do esquema.

Achaque. O modus operandi é relatado desde 2003, primeiro ano com mandato em Brasília: empresários do setor de petróleo se queixavam de três deputados que apresentaram requerimentos contrários às empresas. Para evitar a dor de cabeça dos executivos, exigiam um “pedágio”. Entre os nomes que se teve notícia à época, estava o do deputado do PMDB do Rio de Janeiro. A história não foi investigada.

Em 2008, Cunha usou os requerimentos em apoio ao empresário Lúcio Funaro, tido como seu operador. Atualmente preso, Funaro teve divergências empresariais com o Grupo Schahin na época, em uma disputa após o rompimento da barragem de Apertadinho, em Rondônia. Desde então, o grupo de aliados de Cunha no Congresso apresentou 32 requerimentos contra a família e o grupo Schahin. A pressão continuou mesmo após o andamento das investigações da Lava Jato.

Em troca, os aliados recebiam reforço financeiro e político para campanhas eleitorais ou troca de favores, como apadrinhamentos.

Um dos aliados, o ex-deputado Alexandre Santos, também do Rio, chegou a empregar uma irmã de Cunha. Do outro lado, a filha de Santos ficou lotada no gabinete do peemedebista. Alexandre Santos foi relator da CPI das tarifas de energia na Câmara e incluiu um capítulo no documento do grupo sobre a disputa em Apertadinho, interesse de Funaro.

E foi também Santos quem apresentou Cunha ao lobista Fernando Baiano, em 2009, em um café da manhã no Hotel Marriot, no Rio de Janeiro. Um ano depois, Cunha e Baiano passaram a atuar juntos para pressionar o lobista Júlio Camargo pelo pagamento da propina acertada em troca de um contrato com a Petrobrás para aquisição de navios-sonda. Cada um dos dois ficaria com a cota de US$ 5 milhões em espécie.

Os requerimentos na Câmara para pressionar Camargo foram apresentados pela então deputada Solange Almeida, hoje prefeita de Rio Bonito. Apesar de ser a autora formal dos documentos, o sistema de dados da Câmara mostrou que o texto saiu do computador de “Dep.Eduardo Cunha” – login encontrado mais tarde em proposições de outros parlamentares. Eleita para a prefeitura com a ajuda de Cunha, Solange compartilha com o ex-presidente da Câmara o banco dos réus no STF, na ação penal da Lava Jato tida como mais avançada na Corte.

Histórico carioca. Antes de chegar a Brasília, no entanto, Cunha esteve envolvido em suspeitas de irregularidades no desempenho de cargos públicos no Rio de Janeiro. O economista foi chamado por PC Farias para cuidar da arrecadação de dinheiro para a campanha do então candidato a presidente da República, Fernando Collor. Foi o ex-presidente que o conduziu à Telerj, mas Cunha teve de deixar o comando da empresa de comunicações em 1993.

Em 1999, assumiu a pasta de Habitação do Rio, a Cehab, mas de novo precisou abrir mão do cargo em meio a um escândalo e suspeitas de irregularidades. Depois, foi acusado de falsificação de documento para se livrar das investigações, porém acabou absolvido pelo STF em 2014 por falta de provas. Seu advogado no caso foi o atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

A influência de Cunha junto a órgãos estaduais no Rio torna o parlamentar alvo de uma investigação pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM). A suspeita é de, através de indicações políticas, o deputado tenha se beneficiado de operações realizadas entre 2003 e 2006 pelo fundo de previdência ligado à Cedae, empresa de saneamento do Rio, com ganho ilícito de R$ 900 mil.

FGTS. O apadrinhamento mais lucrativo até agora, segundo as delações já públicas, foi a indicação de Fábio Cleto para a vice-presidência da Caixa Econômica Federal. Em colaboração com o MP, Cleto contou que liberações de recursos do fundo de investimentos do FGTS passavam por Cunha. Em troca, as empresas pagavam propina de 1% do valor dos investimentos e a maior parte disso, 80% ficava para o próprio deputado.

Os executivos da Carioca Engenharia denunciaram a ingerência de Cunha sobre a verba do FGTS e delataram suborno de R$ 52 milhões ao deputado para obtenção de recursos para a obras do Porto Maravilha.

Luxos e a carne enlatada. Na última prestação de contas à Justiça Eleitoral, em 2014, Cunha declarou patrimônio de R$ 1,649 milhão – sendo que aproximadamente metade está no nome da empresa C3 produções artísticas que, segundo as investigações, não possui funcionários.A cifra não bate com o que delatores dizem ter pago ao peemedebista.

Parte do dinheiro a que Cunha teve acesso, no entanto, é mantido fora do País. Foi com o dinheiro de uma das contas já localizadas na Suíça que têm o peemedebista e sua esposa, Cláudia Cruz, como beneficiários, que foram pagos US$ 841 mil em gastos com cartões de crédito internacionais. A mesma conta foi usada para custear uma academia de tênis na Flórida e cursos na Espanha e na Inglaterra.

As quatro contas internacionais em nomes de offshores e ligadas a Cunha foram localizadas pelo Ministério Público Suíço e a apuração foi remetida ao Brasil. Ao menos R$ 23 milhões, oriundos de um negócio da Petrobrás na África, transitaram pelas contas, abertas entre maio de 2007 e setembro de 2008. Depois disso, mais nove contas ligadas a Cunha fora do País já estão sob investigação.

Depois de negar ser dono das contas, Cunha chegou a informar em sua defesa que o dinheiro que possui no exterior é fruto de negócios de venda de carne enlatada para a África.

O balcão de negócios. Além do uso de aliados no Congresso e apadrinhados por órgãos públicos, Cunha desenvolveu relação estreita com o empresariado. Trocas de mensagens de celular indicam que executivos chegavam a redigir propostas para serem apresentados pelo parlamentar. Nas centenas de mensagens rastreadas entre Léo Pinheiro, da OAS, e Cunha, há pelo menos 94 tentativas de agendar um encontro entre os dois e mais de 60 pedidos feitos de um para o outro. Em troca da ajuda no Congresso, Cunha cobrava as doações eleitorais. Cunha também lançou mão de “jabutis” em 11 Medidas Provisórias para tentar beneficiar bancos, em especial o BTG Pactual, de André Esteves. Nas mensagens, empresários revelavam a proximidade e a influência de Cunha, além de sua insistência.

Léo Pinheiro resumiu a pressão de Cunha a um executivo da OAS, por mensagem de texto: “Liga para o EC. Fugir vai ser pior”.



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