História da Escola Ernesto Monte

Em 80 anos, o Ernesto Monte iniciou recebendo os jovens pobres da cidade.

Se tornou excelência em ensino, e hoje é referência no atendimento de deficientes.

Fundado em agosto de 1935, o Ginásio de Bauru teve as primeiras aulas ministradas em uma sala emprestada na praça Rui Barbosa, anos mais tarde no prédio da praça Dom Pedro II e, por fim, no imóvel construído com terreno doado em frente ao Palácio das Cerejeiras.

Ao longo das décadas, acabou se transformando em escola dos ensinos fundamental e médio.

Breve história de nossa escola

fonte: escolaernestomonte.blogspot.com.br

(revisão final e ajustes – Paul Sampaio)

Uma escola concebida e criada para atender os jovens bauruenses que não tinham condições de pagar mensalidade em instituições particulares, mas que, com o tempo, transformou-se num centro de excelência educacional, cobiçado até, por alunos das classes sociais mais abastadas.

Só pagava mensalidade em escola particular quem não conseguia passar no exame de admissão do Instituto de Educação Ernesto Monte, atual Escola Estadual Ernesto Monte.

Em seus 75 anos de história, completados em agosto último, a escola se orgulha de ter em seu currículo a formação de alunos que, mais tarde, se transformariam em profissionais altamente qualificados em suas áreas de atuação.

Alunos como o engenheiro aeronáutico, ex-presidente da Petrobras, ex-ministro da Infra-Estrutura e um dos criadores da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), Ozires Silva.
Pelas salas de aula do Ernesto Monte também passaram figuras que se destacariam na vida da cidade e do País, como os ex-prefeitos Tuga Angerami, Tidei de Lima, o arquiteto e urbanista Jurandyr Bueno Filho, o ex-técnico da Seleção Brasileira de basquete feminino Antônio Carlos Barbosa, o vice-diretor e criador do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet/Unesp) Roberto Calheiros, além de muitos engenheiros, médicos, procuradores da Justiça, desembargadores, juízes de direito, entre outras profissões de prestígio na sociedade.

Como ocorre atualmente com os cursinhos pré-vestibulares, naquela época, os alunos oriundos de outras escolas enfrentavam um ano de curso pré-admissão, ministrado por professores nas casas dos candidatos.


As portas de madeira maciça ainda são as mesmas, assim como as estantes da biblioteca, as cadeiras, o piso e o piano do anfiteatro. O que prova que estruturalmente, durante os 79 anos de existência, poucas foram as coisas ‘materiais’ que mudaram na Escola Estadual Ernesto Monte. Mas em termos de ensino, a Escola teve em sua História, uma grande gama de mudanças.

Considerada um centro de excelência educacional nas décadas iniciais de sua fundação, a escola passou por transformações que culminaram em certa precarização do ensino.

Hoje, mesmo em meio a tantas dificuldades, o “Ernestão”, como é chamado por muitos alunos, é referência na inclusão de alunos com os principais tipos de deficiência.

“Pessoas de todas as classes estudavam lá. Havia muito respeito com os professores e a escola era cheia de regras. Não havia tantas grades e os muros eram mais baixos. No momento da aula, o silêncio era absoluto e não se via correria pelos pátios”, lembra o ex-aluno e atual promotor da Infância e Juventude de Bauru, Lucas Pimentel, sobre os “anos dourados” da escola.

A Escola Estadual Ernesto Monte é descrita assim por pessoas que passaram por lá, entre as décadas de 1960 e 1970, período que, segundo a diretora Heloise Helena Cerqueira de Souza, integrou um processo gerado pela chamada democratização do ensino.

Doado na época em que a escola foi fundada, o piano inglês da Ernesto Monte continua ativo no anfiteatro

Transição

O fato resultou no fim das provas de seleção para o ingresso ao então Instituto de Educação Ernesto Monte, o que ajudou a quadruplicar o número de alunos em salas de aula.

As aulas foram separadas por sexo, os uniformes eram impecáveis, e havia o culto à bandeira e ao Hino Nacional todos os dias.

Tudo isso foi se perdendo em meio ao tempo e às transformações curriculares.

“No início a escola era um centro de excelência, mas com acesso elitizado.

A abertura representou uma mudança radical e proporcionou acesso aos menos favorecidos, mas os investimentos para qualidade não aconteceram na mesma velocidade”, aponta Heloise.

De fato, em um rápido passeio pela Ernesto Monte, a afirmação acima é fácil de ser notada em meio aos jovens que perambulavam para fora da sala e desobedeciam as ordens de entrada da diretora durante a entrevista.

“Temos consciência que a escola não tem mais aquela qualidade de antes. Por alguns anos, tivemos problemas com preconceito. Depois, tudo foi se acertando e hoje estamos nos tornando um modelo de inclusão”, completa a diretora da unidade, que adiou a aposentadoria em quase 15 anos para ver de perto a Escola Estadual Ernesto Monte se transformar.

No ano que vem, Heloise completará 25 anos no cargo. É a sexta gestão e a que mais durou em 79 anos.

“Sinto-me contemplada. Temos alunos de todas as classes sociais e deficientes em um mesmo ambiente em que são compartilhadas, de igual para igual, as mesmas experiências. Agora, sinto que posso me aposentar tranquila”, suspira a diretora.

Ernesto Monte formou alunos que se transformaram em profissionais altamente qualificados

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Quem foi?

Ernesto Monte foi um político brasileiro.

Foi prefeito de Bauru, cidade do estado de São Paulo, durante o período de 7 de junho de 1938 a 25 de março de 1947.

Seu nome correto era Ernesto do Monte. Nasceu em Itatiba, SP, aos 20 de setembro de 1899 e faleceu em Bauru aos 4 de novembro de 1950. Era filho de Agostinho Antonio do Monte e Elisa Maria de Jesus. Deputado estadual, prestou relevantes serviços a sua cidade.

Como reconhecimento foi dado seu nome a escola daquela cidade onde estudou Edson Arantes do Nascimento, o famoso jogador Pelé


Ernesto Monte: da excelência à inclusão

Marcele Tonelli – fonte: JC Net

Filho de portugueses, Ernesto Monte nasceu em Jundiaí em 1899.

Começou a trabalhar com 12 anos nos escritórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Em 1916 mudou-se para Bauru, quando foi incorporado à antiga Noroeste do Brasil (NOB).

Foi vendedor, empresário, prefeito de Bauru e deputado estadual.

Em sua gestão como prefeito, inaugurou a primeira Estação de Tratamento de Água (ETA), existente ao final da avenida Comendador José da Silva Martha, e o Ginásio do Estado, em frente à prefeitura, hoje escola estadual Ernesto Monte.

Casou-se com Flordaliza Meira Monte, que também trabalhava no escritório da NOB, e teve sete filhos.

É descrito pelo historiador e jornalista Luciano Dias Pires como um homem carismático e adorado pela população da época.

“Foi um grande prefeito de Bauru na época da ditadura. Quando ele deixou a prefeitura, ganhou uma casa do povo como presente”, lembra.

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Um comentário sobre “História da Escola Ernesto Monte

  1. Estudei aí de 1957 ou 58 até 1962 aproximadamente e sinto orgulho em saber que é umas das escolas públicas de referência no Estado de São Paulo.
    Estava a procura da letra do famoso Hino da escola
    Burdino

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